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SABERES E SABORES
REVISTA CRÉDITO AGRÍCOLA
N este território de grandes recursos, sobressai a vontade de pre-servar,
promover e valorizar as mais saborosas tradições, o que
acontece pela mão da Confraria Gastronómica de Sever do Vou-ga,
criada em 2003. Esta instituição desenvolve um diversificado conjun-to
de acções, sendo de salientar a organização da Rota da Lampreia e da
Vitela.
Além dos apreciadíssimos arroz de lampreia e lampreia à Bordalesa, a Con-fraria
procura destacar, igualmente, outra maravilha gastronómica do con-celho
– a vitela assada com batatas e arroz de forno. Sendo uma receita
local, o que a diferencia de outras latitudes da gastronomia portuguesa é
a utilização da vitela, enquanto rês muito jovem, e o corte em postas pe-quenas,
de preferência com osso, adicionando-se os temperos de segredo.
Nota de destaque também para o aproveitamento do porco e dos rojões
à moda de Sever, pela importância social, económica e cultural que es-te
prato tem na alimentação local. Muitos são os grupos etnográficos que
dedicam parte das suas actividades à reconstituição dos rituais tão sin-gulares
nas tradicionais matanças do porco. No aproveitamento do porco
distinguia-se a rojoada, em que além dos rojões eram cozinhadas e apro-veitadas
as partes mais perecíveis que não se salgavam, como o fígado, o
sangue e o coração. Cozinhados com o saber-fazer local, os rojões ficavam
em púcaro próprio cobertos
de banha sendo consumidos
ao longo do ano. Era, por isso,
para além da salga, uma for-ma
de conservar a carne do
porco e mantê-lo disponível
para consumo.
A relevância de Sever do Vouga
no que reporta a sabores e sa-beres
estende-se aos frutos ver-melhos,
em que o mirtilo é rei
e senhor, envolvendo a doçaria
e os licores de grande qualida-de
que pelas terras do Vouga se
produzem. O final perfeito de
uma refeição generosa e diver-sificada,
que rende tributo ao
melhor das tradições locais.