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PORTUGAL COMPETITIVO
REVISTA CRÉDITO AGRÍCOLA
NOVAS
TECNOLOGIAS
NA AGRICULTURA
POR JOSÉ RAFAEL SILVA
O PASSADO E O FUTURO
A agricultura do passado mais recente era mais (bio)diversa
e praticada em escalas mais reduzidas. No actual imaginá-rio
social ainda existe a memória de ver pequenas parcelas
agrícolas com diferentes consociações culturais (ex: milho e
feijão).
Com o objectivo de maximizar o factor trabalho e o factor
máquina agrícola, as parcelas foram crescendo de dimensão
e a uniformidade da paisagem foi crescendo. Este processo
de industrialização da agricultura optimizou o factor trabalho
e o factor máquina, contudo, reduziu a eficiência da aplica-ção
de outros factores como os fertilizantes, os pesticidas, a
água, para além de outros. A redução da eficiência da aplica-ção
deste último tipo de factores provocou impactos conhe-cidos
sobre o meio ambiente, nomeadamente: i) a poluição
do solo, dos lençóis freáticos, das linhas e espelhos de água;
ii) a redução da biodiversidade da fauna e da flora; e iii) a des-confiança
do consumidor sobre a qualidade dos alimentos
produzidos, bem como, sobre os actuais sistemas produtivos.
Face aos problemas levantados anteriormente novos desafios
se levantam para a produção de alimentos no futuro, pois as
sociedades futuras já não quererão maximizar factores como
o trabalho e a maquinaria mas sim a Ecologia. Com o apare-cimento
dos robots na agricultura o factor trabalho deixa de
ser propriamente um problema e seguramente o actual mo-delo
de grandes e homogéneas parcelas agrícolas também já
não farão muito sentido, como tal, passará a ser possível mo-delar
os padrões locais e regionais da ecologia da paisagem,
esta última, muito dependente do uso do solo e como tal, da
actividade agrícola. Para atingir tal propósito os sensores re-motos
de observação da terra vão seguramente desempenhar
um papel fundamental e nesse sentido, as ferramentas que
os usem serão determinantes para modelar a futura ecologia
da paisagem, seja ela agrícola, natural ou ambas.
O PRESENTE E O FUTURO
Por forma a melhor conhecer as relações solo-água-planta
dentro de parcelas agrícolas é hoje comum instalarem-se
sensores no terreno de maneira a ampliar o conhecimento
que temos das mesmas, todavia este tipo de sensores tem
sempre uma visão limitada do espaço, pois amostram con-dições
locais, a não ser que sejam em número elevado, mas
nesse caso, o custo do conhecimento também será elevado.
Para além do preço, temos o problema da colocação, manu-tenção
e calibração destes equipamentos por forma a termos
dados fiáveis e fidedignos, já para não falar da sua integrida-de
física, pois normalmente concentram-se no mesmo espa-ço
onde inúmeras máquinas agrícolas também operam.
Foi-nos prometido, não há muito tempo, que os problemas an-