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ESPAÇO CLIENTE
REVISTA CRÉDITO AGRÍCOLA
de vida, tendo por suporte a actividade agrícola.
Apostaram no morango. E a tecnologia adoptada é a
semi-hidroponia, em razão da eficiência, da eficácia
e da boa gestão de recursos. Pequeno parêntesis para
enquadrar a fileira do morango em Portugal: a pro-dução
nacional situa-se nas 9,5 mil toneladas anuais
(dados reportados a 2017), as exportações estão na
casa das 4,5 mil toneladas, enquanto as importações
ultrapassam as 16 mil toneladas e o consumo dos
portugueses supera já as 20 mil toneladas. Este de-sequílbrio
evidente da nossa balança comercial foi
determinante para a aposta da família Assis Lopes.
“O tomate chegou a estar em equação, até porque a
tecnologia de que dispomos é extremamente versá-til,
mas o grande défice de produção de morango em
Portugal justifica definitivamente a nossa escolha”,
sublinha Álvaro Assis Lopes. A ideia da Seaberry
começou a germinar em 2015, sendo que a empresa
viria a nascer em Junho de 2017. Estamos peran-te
um projecto de capitais próprios, parcialmente
financiado ao abrigo do PDR 2020 e que, desde a
primeira hora, conta com a parceria do Crédito Agrí-cola*.
“Somos muito reconhecidos a este Banco, que
a cada dia que passa nos demonstra que os projectos
não se reduzem a números, têm alma, convicções,
gente que trabalha em todas as áreas de competên-cia
para sermos bem-sucedidos – e isso está bem
presente na nossa relação com o CA”, revela Gonçalo
Assis Lopes. Num ano de cruzeiro e numa perspec-tiva
realista e (talvez) conservadora, os responsáveis
da Seaberry apontam para uma produção estimada
em 165 toneladas de morango. Mas, num horizonte
a dois anos, não descartam a possibilidade de chegar
às 180 toneladas. Seja como for, o posicionamento
da empresa coloca-a no patamar da oferta gourmet,
tendo como parceiro de distribuição o agregador de
produtores Frutalmente, que três vezes por semana
vem buscar as paletes de morango à Seaberry. A área
ocupada pela estufa instalada na Ericeira é de um
hectare – imaginemos um campo de futebol – mas
graças à metodologia de produção em suporte hi-dropónico
o potencial é equivalente a seis hectares.
No lugar onde releva a estufa, o contorno é campo
aberto para o mar infinito no horizonte. “Não esco-lhemos
esta localização por acaso. Temos uma rela-ção
muita próxima com a região que vem de várias
gerações e, do ponto de vista técnico, estarmos aqui
dá-nos as melhores condições para produzir o ano
inteiro, o que acaba por ser excepcional face a ou-tras
regiões que se dedicam à mesma fileira em Por-tugal”,
explica-nos Gonçalo Assis Lopes. Antes do
ponto final na reportagem, não saímos da Seaberry
de mãos a abanar… Connosco vem um cesto de mo-rangos
garbosos no seu vermelho intenso, exalando
perfume a fruta saborosa e autêntica. Essa autentici-dade
portuguesa que o mundo tanto aprecia e, cada
vez mais, procura.
*Cliente do CA de Loures, Sintra e Litoral
NÚMEROS
DA FILEIRA
A produção
nacional situa-se
nas 9,5 mil
toneladas anuais
(dados reportados
a 2017), as
exportações estão
na casa das 4,5
mil toneladas,
enquanto as
importações
ultrapassam as
16 mil toneladas
e o consumo
dos portugueses
supera já as 20 mil
toneladas