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ENTREVISTA
REVISTA CRÉDITO AGRÍCOLA
Que marca gostaria que ficasse deste
Governo no domínio do investimento na
interioridade?
O ideal seria que essa marca se tornasse
inapagável e irreversível. Bem sabemos que
a chamada assimetria regional não se corrige
numa legislatura, nem em duas… É um
processo e uma dinâmica que mobilizam vários
Governos e diferentes gerações. Agora, uma
coisa é certa: o trabalho iniciado na Unidade
de Missão e continuado com outro suporte
através da Secretaria de Estado representa já
algo marcante para a valorização do território
português, ao pensar estrategicamente um
país cada vez menos desigual na relação que
se estabelece entre o Interior e o Litoral,
propondo e tomando medidas que confiram
a esses dois pólos uma simetria cada vez
mais evidente, até porque o futuro passa
inevitavelmente por aí. E quando formulo
o desejo de que a marca de ste Governo
seja, a um tempo, inapagável e irreversível,
é no sentido de que os futuros Governos
de Portugal mantenham a questão da
interioridade no topo das suas preocupações
e prioridades do seu pensamento e da sua
acção, designadamente no quadro legislativo,
através de medidas que a todo o tempo v ão
contribuindo para valorizar o Interior.
Defende, também aqui, a necessidade
de consensos alargados, de pactos de
regime que promovam a longevidade
das grandes medidas, sobretudo as
chamadas “estruturantes”?
Sem dúvida. Dois terços do território
português tem manifestos problemas de
despovoamento e de envelhecimento. É certo
que, de uma forma geral, o País desenvolveu-se,
temos hoje óptimas acessibilidades
e outras infra-estruturas físicas – desde
espaços culturais a equipamentos desportivos.
Sucede que no caso específico do Interior,
isso aconteceu quase sempre tarde de mais:
quando lá chegaram os acessos e as vias,
muitas pessoas, sobretudo os jovens, já
tinham saído… Há muito a fazer para atrair
gente que queira fixar-se no Interior. E há
urgência em tomar decisões concretas nesse
sentido. A prova disso é que no Orçamento
do Estado para 2019 tínhamos uma medida
que defendia a redução do IRC em função da
massa salarial, dirigida às empresas do Interior,
e foi chumbada no Parlamento. Seja como for,
estou certo de que hoje em Portugal todos
os partidos têm consciência dessa urgência.
A urgência de políticas específicas a pensar
com toda a atenção e visão e stratégica em
determinadas áreas do território.
Entre as medidas consequentes para
a interioridade com a assinatura
deste Governo, quais merecem o seu
sublinhado?
Felizmente não faltam bons exemplos. A
começar pelo programa Valorizar, em que
pela primeira vez em Portugal foram alocados
70 milhões de euros de fundos comunitários
(verba reforçada agora com mais 10 milhões)
exclusivamente para valorizar a actividade
turística no Interior. Importa igualmente ter
presente a reprogramação do novo Quadro
Comunitário de Apoio, em que só para
empresas do Interior conseguimos alocar 800
milhões de euros. Com esse reajustamento,
foi possível salvaguardar a especificidade de
Quando
comecei este
trabalho na
Unidade de
Missão para
a Valorização
do Interior,
os autarcas
identificavam
a necessidade
de criar
emprego para
fixar os jovens;
hoje, o que
falta é
mão-de-obra